Intercâmbio entrevista Ed Ribeiro

O que é que o bahiano tem
O pintor brasileiro inicia com êxito sua carreira internacional e fala sobre sua trajetória e sobre o convite para expor no Louvre.
A Intercâmbio Cultural Arts tem a finalidade de promover o trabalho dos artistas brasileiros que realizam trabalhos no exterior e também de promover os artistas internacionais que amam nosso país e expõem aqui no Brasil. Então decicimos dar início às entrevistas com artistas de grande expressão e nosso convidado numero 1 é Ed Ribeiro.

Autor de telas que retratam orixás e outras formas abstratas, o baiano utiliza uma técnica que dispensa pincéis, espátulas ou qualquer outro tipo de ferramenta. A partir do derramamento de tintas diretamente nas telas, Ed consegue obter belíssimas composições. Primogênito de uma família pobre de 17 filhos, da cidade de São Sebastião do Passé, Edmilton sempre avançou com muita vontade em busca da concretização de seus empreendimentos. Foi assim com a Socorro do Lar - primeira empresa de serviços da Bahia, tem sido assim com tradicional Point do Acarajé - primeira casa de acarajé do Brasil, e é assim que está abraçando as artes plásticas.
Dono de uma técnica inovadora, onde não utiliza ferramentas como pincéis e espátulas, Ed realiza seus trabalhos apenas derramando as tintas diretamente sobre a tela. Suas concepções, na maioria das vezes, remetem aos orixás e outros motivos da cultura baiana, que hoje conquistam o mundo pela beleza de suas formas e movimentos.
São apenas três anos dedicados às artes plásticas. Mas, os resultados alcançados por Ed Ribeiro não são poucos. Desde a sua estréia, no Hotel da Bahia, o baiano já expôs em diversas galerias e espaços culturais de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Estados Unidos, Itália e no final do ano, em nada mais nada menos do que no Louvre, na França.
Ed Ribeiro participou da 3ª edição da MundiArt, trazendo brilho e sucesso ao nosso trabalho, e representando muito bem a nossa cultura nesta exposição com mais participação de artistas de 15 países. Também foi selecionado para representar o Brasil na coletiva Le Foglie Morte, no Centro Culturale Casatani, na Itália, com quem a Intercâmbio tem parceria.
Confira a  entrevista com Ed Ribeiro:





(Intercâmbio) - Ed, como tudo começou? Conte sobre o início de sua jornada pelo mundo das artes.
(Ed) - Ano 2005, eu fiz um pedido a Deus para me libertar do comércio que tinha criado, que era a Primeira Casa de Acarajé da Bahia (Point do Acarajé), sempre fui ligado ao mundo empresarial, aí Deus me deu a pintura, como não entendia nada e nem sabia desenhar, e via que era um mercado muito dificil e complicado, disse para Deus que não queria, eu tinha um padrão de vida, via em outros artistas, inclusive professores da Faculdade de Belas artes que não conseguia vender um tela as vezes por menos de R$ 1.000,00(mil reais), meses depois a arte voltou, naquele momento eu entendi que tinha que ser a arte, comecei a pesquisar onde encontraria um bom professor, falei com um amigo meu pedindo que me ajudasse a escolher o melhor professor, ele informou um em um bairro distante do meu, liguei para ele, para saber a mensalidade, dois dias depois estava saindo do edifício onde morava, uma pessoa do lado de fora me deu um folheto, eu fui ler era uma escola de pintura em frente a minha casa, só atravessei a rua e fui lá, perguntei a mensalidade e naquele momento fiz a minha inscrição, paguei 10 aulas, não tive saco para continuar com a professora, tomei apenas quatro aulas, embora tivesse pago 10, mas continuei pintando em casa com livros, em seis meses depois já tinha pintado inúmeras telas, aí vamos para nova técnica.


Tem um preto velho no bairro de Itapuã chama-se BIZECO, que fica a mais ou menos 25 Km de onde moro, mas eu adoro este negro acho até que foi meu pai em outra encarnação.
Era um dia de domingo mais ou menos 13 h, eu como era de costume todas as semanas fui visitá-lo, no meio do caminho pensei em pintar uma tela para ele, mas não tinha levado tintas, pincel, nada, automaticamente pensei comigo, vou nas lojas de materiais de construção, imaginei, mas já estava tudo fechado, assim mesmo fui em algumas casas todas fechadas, um rapaz viu minha agonia e falou, amigo: vá na feira de Itapuã, que tem uma lojinha que vende tintas, larguei a namorada dentro do carro e sai correndo para loja, lá encontrei algumas cores. Comprei, fui para casa do Bizeco, quando chego lá disse para ele que tinha comprado um presente para ele, muito gaiato disse: “que bom você nunca me deu nada, onde está o presente?” Eu pego saco cheio de latas de tintas e mostro para ele: “ não quero tintas!!! Pode ficar para vc, kkkkkkkk”, ai falei para ele que o presente era fazer uma pintura na varanda da casa, ele achou a idéia fantástica, mas a parede estava suja, e ele pediu que eu fosse pintar outro dia. Volto eu com as tintas para minha casa, sem saber o que fazer, quando chego em casa vi que aquelas tintas não tinham utilidade. AGORA VEJA A FORÇA DE DEUS GUIANDO NOSSOS CAMINHOS. Tinha uma tela que não gostava e não tinha terminado, feita de pincel e umas folhas de bananeiras, quando chegou o dia seguinte, 2ª feira, eu disse “já sei o que vou fazer com aquelas tintas, vou derramar em cima para acabar com aquela tela”, quando abro a lata e começo a derramar a tinha lembro de um animal, diria um lobo, aí começo a fazer a forma do animal, a noite do mesmo dia levo para o meu comércio, (Point do Acarajé), que ficava entre a Escola de Belas Artes e Teatro, com freqüência de artista, estava lá as telas de pincel exposta na parede, coloquei a tela do ANIMAL nos meio das outras, comecei a perguntar a todos qual a pintura mais bonita, todos acharam o animal, no meio dessas pessoas tinha um ator e produtor de teatro, o Sergio, que falou o seguinte: “você descobriu a galinha dos ovos de ouro, nunca mais faça as pinturas de pincel, siga isso que Deus te deu, o mundo precisa inovar, siga esta técnica”.
A partir daquele dia eu não usei mais os pincéis, na 2ª feira já fiz a primeira tela com derramamento de tintas que foi OXALA, daí em diante só pintei com esta técnica.



(Intercâmbio) - Quais são os artistas que te inspiram?
(Ed) - Na verdade não diria nenhum, embora tenha admiração por Jackson Pollock, até porque o nosso estilo é um pouco parecido, o gotejamento o dele e o meu derramamento de tinta, mas quando comecei sabia que ele existiu, fui pesquisar depois que uma artista plástica viu e achou algumas semelhanças, adoro Van Gogh, Picasso, Rembrandt, Utrillo, Monet, Cézanne e muitos outros grandes artistas.



(Intercâmbio) - O que te motiva a pintar?
(Ed) - O amor que tenho pela arte.



(Intercâmbio) - Figuras afro-brasileiras imperam em suas obras. Por que essa predominância em seus quadros?
(Ed) - Acho que é Deus e os Orixás, até porque eu adoro a cultura afro. Não freqüento o candomblé, mas sou um pesquisador, fui parar criando a primeira Casa de Acarajé, não sei se você sabe, é a comida de Iansã, acredito que nada é por acaso.


(Intercâmbio) - Religião é assunto polêmico. Você já teve algum caso de intolerância religiosa por causa dos seus quadros? Eu tive, quando fiz a "Afro-brasileiros, exaltando a majestade".
(Ed) - Não, muito pelo contrário, sou elogiado pelos adeptos, agora se um e-mail que envio parar no e-mail de um protestante, às vezes não gostam, mas isso pouco me preocupo.



(Intercâmbio) - Você pretende sair das telas e adentrar estabelecimentos, livros, camisas, estampas, campanhas publicitárias e no mundo fashion? (Ed) - Não, tenho paixão com pinturas, acho até que é meio complicado. O artista que quer fazer tudo termina não fazendo nada bom, embora use minhas roupas que são pintadas com a minha técnica.


(Intercâmbio) - Como você define seu estilo?
(Ed) – Derramamento de tinta.



(Intercâmbio) - Ed Ribeiro no Louvre...?
(Ed) - Eu sempre falo que acho que Deus ajuda-me mais do os outros, fiquei emocionado, quase desmaiei naquele momento, quando vi o convite no e-mail, não sabia o que fazer, foi demais, só Deus quem sabe da minha felicidade.

(Intercâmbio) - Você imaginava que ia chegar tão longe?
(Ed) - Nunca jamais, com apenas quatros nos pintando, mas quando Deus quer e tem amor e determinação pelo que faz, tudo acontece.



(Intercâmbio) - Você acha que a elite brasileira investe em arte como deveria?
(Ed) - Acho que não, nossa cultura para compra de artes plásticas é muito pouca, mas nosso país está melhorando, vamos chegar lá.



(Intercâmbio) - Qual a sua visão a respeito do mercado de arte hoje?
(Ed) - Eu não tenho o que falar, até porque graças a Deus consigo vender, mas vejo muitos outros, inclusive bons artistas que não conseguem vender nem com preços baixos.



(Intercâmbio) - Oque você anda preparando para 2010?
(Ed) - Farei duas grandes exposições no Brasil em São Paulo, estou convidado para duas exposições na Itália, em junho serei laureado com a MÉDAILLE DE VERMEIL 2010 pela SOCIÉTÉ ACADÉMIQUE DES ARTS SCIENCES ET LETTRES de Paris, e estarei expondo no Museu du Louvre em dezembro.



(Intercâmbio) - Qual dica você daria para quem está começando agora?
(Ed) - Diria não só para quem está começando, mas para todas as pessoas, para confiar no seu trabalho com amor e muita determinação, e vá atrás dos seus objetivos que com certeza vencerá.

2 comentários:

Valdeck Almeida de Jesus disse...

Valeu, Ed...

Estou lançando três livros e usarei desenhos teus nas capas...

Deus e os Orixás que nos protejam e abençoe...

Valdeck Almeida de Jesus
Escritor, Poeta e Jornalista
www.galinhapulando.com

Lya Silveira Alves disse...

Olá, Valdeck. Ôpa!!?? Notícia em primeira mão? Quando lançar os livros, envia material pra gente publicar aqui. O blog é nosso. O lançamento será aonde?
Att
Lya Alves

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